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Eu não gosto de incêndios e fico muito triste quando eles aparecem. Tenho muito medo. A minha prima Idalina até nem quis ver quando viu as imagens que as televisões mostravam de gente toda carbonicada. Graças a Deus que há jornalistas que até mostram os mortos para a gente ficar avisada que nos pode acontecer o mesmo e depois ficamos todos ali parados à espera que nos venham levantar que agora não há tempo para merdas queimadas e o que interessa é salvar o que não ardeu. Os bombeiros não chegam para tudo mas é bom mostrar que este país anda todo desorganizado que até deixa mortos por todo o lado sem lhes acudir. Só assim é que uma pessoa dá conta. Os jornalistas dos incêndios usam sapatilhas que são uns pénis com sola que dão para saltitar em cima dos troncos carbonicados e pode parecer que não mas dão um ar muito desportivo de quem não está interessado com o aspecto. Estas sapatilhas também ajudam a dar pulinhos para cima dos carros esturricados que se fossem Volvos só de encontro a um poste é que se desfaziam. Foi pena estes jornalistas não terem estado mesmo ao lado do túnel onde uma princesa se quilhou. Uma pena. Uma reportagem com uma morta da realeza logo ali era bem capaz de convencer as pessoas pobres a não conduzir a altas velocidades dentro dos túneis e a não fazer tuningues. Era bem feito que os jornalistas puxassem um pé a um morto e o arrancassem assim do carbonicado só para nos mostrar que é perigoso uma pessoa andar a fazer de paspalho metido num carro no meio das labaredas depois de saber que as matas estão ali mesmo a pedi-las sem que ninguém lhes acuda há anos. Felizmente temos a D. Cáritas que é uma senhora muito bondosa que já tem uma conta aberta no banco onde a gente pode lá meter dinheiro se quiser ajudar. A D. Cáritas depois dá aos pobres que ficaram sem casa depois dos pobres preencherem os impressos e prometerem que não gastam em droga. A televisão vai fazer uma gala muito grande com foguetes, bombos, uma passadeira branca porque o vermelho lembra o fogo e vestidos compridos e todos brilhantes só porque quer ganhar dinheiro para os carbonicados. Até parece que vamos voltar a ver o cu da Rita Pereira que o meu pai diz que também é um fogareiro. A gala não é para os ingleses mas eu sei que também houve por lá cabonicações e que morreram ainda mais cadáveres que cá mas a Inglaterra é muito longe e não nos chega o fumo por isso basta metermos no feiceboque uma coisa chamada jessui e pormos à frente o que quisermos que já dá. Praiforosincêndiosládelondres também serve desde que a gente ponha umas cruzinhas atrás chamadas astasgues. Eles que são pretos que se entendam, como diz o meu avô que é um judeu nestas coisas. Forreta como não há. Em Inglaterra diz que foi por causa dos revestimentos. Aqui parece que foi também por causa dos reinvestimentos só que em submarinos. A minha prima disse para eu meter um lacinho preto aqui ficava bem e que até aliviava a consciência mas eu acho que quero ter isso pesado.

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Eu gosto muito do Salvador e a minha família também desde que ele passou à final do festival. Não sei se conhecem o Salvador por isso vou dizer quem é. O Salvador é assim como um bolinho de bacalhau com dois palitos espetados a fazer de pernas e uma azeitona das verdes a fazer de cabeça. Tem um tampão no nariz que a irmão lhe deu que tem muitos e podia dispensar um que não lhe fazia falta. O Salvador foi ao festival da canção e ficou muito conhecido e toda a gente gostou dele e ficou muito orgulhosa. Até a minha tia que antes dizia que o moço era um morcão agora vai a Fátima pedir por ele que canta como os anjos. A minha prima meteu no feiceboque “Salvador faz-me um filho” mas não conta porque a minha prima pede isso a toda a gente desde que tome precauções que são umas coisas que tapam o pipi. Eu por acaso não gostei muito de o ver. Não tinha fogo preso nos pés e a música dele não é a dos carrinhos de choque que eu gosto tanto. O meu primo disse que não tinha gajas boas aos saltos e que por isso já foi. Isto não é verdade porque ter uma gaja boa aos pinchos pode não ser bom. Havia uma gaja boa lá no festival que saltava que nem estou bem a ver com uma trança tipo helicóptero e que também já foi. Às vezes mais vale aparecer com um cavalo e um gorila. O Salvador parece uma preguiça atrasada mas acho que não chega. O que o Salvador devia era cantar mais alto. Se metesse uma corneta ou a sirene dos bombeiros e se atirasse de vez em quando para o chão ali mesmo no meio da canção ficava bem e dava um arzinho àquilo. Foi pena a D. Luísa não se ter lembrado disso e de pedir à D. Joana Vasconcelos para mandar fazer assim uma coisa bem grande para meter no cenário a piscar a largar fogo-de-artifício. Isso é que dava. Eu gosto muito do Salvador mas acho que já estou fartinho de ouvir falar dele. Afinal é só um rapaz a cantar.  

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Eu não tenho escrito nestes dias porque ando a pensar muito e não consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo. A minha professora até perguntou se eu sou disléxico ou quê. Eu acho que sou o quê porque quando disse à minha mãe o que a minha professora tinha dito a minha mãe disse que estava com licença cagando para o que a minha professora dizia e que no tempo dela só havia cachopos burros. Agora é que têm a mania de andar com florinhas. Por isso não sou disléxico. Ando a fazer o que o meu avô se farta de dizer que é ver e calar como dizia o Salazar. As pessoas caladas vivem melhor. A minha tia está cansada de avisar a minha prima para fechar a matraca lá no feiceboque que é um perigo. A minha prima Idalina mete lá tudo o que lhe vem à mona e põe fotografias que a gente chama selfes com pau. Depois anda à batatada com os amigos que lhe dizem coisas por causa das mamas à mostra e dos paus que também se conseguem ver. A única vez que a minha tia meteu fotografias no feiceboque foi quando fomos passar férias a Albufeira e vimos duas holandesas velhas todas nuas a beber cerveja e uísques que são uma espécie de comida para gatos ricos que o do Firmino só comia restos. As holandesas andavam nuas e aos guinchos porque se usa muito lá na Holanda uma pessoa vestir-se assim quando vem a Portugal nas férias e passa pelo Guincho. A minha irmã teimou que era por causa dos homens da lota que saíram da rolote das velhas holandesas para ir à pesca. Eu acho que devia ser pesca com rede porque um deles trazia uma na boca. A minha tia disse que era igual às meias que a Idalina usa no trabalho e fotografou aquilo para mostrar que nós também usamos coisas bonitas quando trabalhamos e não é só no estrangeiro que as mulheres são finas. Depois meteu a fotografia no feiceboque. O meu tio quando viu disse que aquela merda era uma vergonha e só não cascou na minha tia porque sabe que se levanta o bico apanha uma pantufada que lhe leva os dentes que isto do machismo é uma coisa que enerva muito a minha tia. Eu acho que o meu tio ficou com raiva dos homens da lota por cauda das holandesas nuas que ele não viu porque estava a lavar a louça na pia do campismo. Começou a berrar que se gasta tudo em copos e mulheres e que depois é a miséria que se vê. A minha tia até teve de o acalmar e de lhe lembrar que ele já não tem idade para aquelas coisas. Que vá bebendo e calando porque da última vez que apanhou uma holandesa nua nem a deixou tirar os colantes e depois andou a dizer que a bandalhoca que é um badalhoca de banda larga era virgem. Uma virgem é uma senhora que cresce em cima das oliveiras. A bem dizer já não há muitas que isto de andar em cima das árvores ainda dá trabalho e já não rende como rendia. Eu gosto muito do senhor Djalobomble.

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O destaque

14.03.17

Eu gosto muito do destaque embora não saiba bem o que significa. Fui a tempo de ver a palavra no Magalhães antes de chegar um senhor vestido de ministro que mo tirou à chapada depois de outro senhor vestido de ministro mo ter dado há uns anos para eu ver o significado das palavras. Eu como agora aprendo inglês aqui na escola até lhe disse put a keep pare you mas o homem fez que não entendeu e arrancou-mo na mesma. Só tive tempo de ver que no Magalhães aparecia a palavra destaque por isso penso que é o contrário de taque que é uma coisa que se faz no hospital. Não é aquela coisa que se diz mas que primeiro bisnagamos o ambiente com uma das amostras de cheirinhos que a minha prima Idalina rouba nas perfumarias enquanto as empregadas estão distraídas a falar no uatesapo com as outras colegas que estão no balcão ao lado. Isso é um traque. Um destaque é uma coisa que atira para ar uns vírus que fazem mal às pessoas e aos computadores. Deve ter sido por isso que me tiraram o Magalhães que devia estar cheio de destaques dentro e já a infectar a mioleira à minha professora que disse que aquilo tudo era uma vigarice e que se nos apanhasse a ver mulheres nuas nos fechava a tampa do computador depois de nos meter a pila lá dentro. A Escola não é a oficina do meu primo Zeca que tem umas fotografias coladas na parede de senhoras com mamas de fora. A minha prima Idalina diz que são companheiras de luta que a minha prima é sindicalista e trabalha no turno da noite porque diz que depois das nove há mais movimento de massas. Eu só espero que não sejam as massas que comi com atum ao jantar que ainda andam às voltas nos meus intestinos. Até tive de disfarçar o pivete. Não foi é complicado porque basta a minha professora falar que ela tem um bafo que parece saído do Inferno e aquilo passa. É melhor se nenhum dos cachopos da minha classe não vomitar nos cadernos como aconteceu ao Bernardino que é um colega meu que está sentado no fundo da sala e que fica muito agoniado com os bafos das pessoas e que também vomita com o cheiro dos queijos da serra que a minha prima traz do sindicato quando não há trocos e com a bosta das vacas que andam a pastar aqui no recreio. A minha prima Idalina diz que as vacas deviam ser sagradas como num país chamado Índia que fica na América que está cheia de índios que usam penas na cabeça de passarinhos mortos à paulada que é uma menina que desfila em Torres Vedras chamada Paula mas que toda a gente trata por Paulada porque dizem que é tarada por andar toda nua a abanar o rabo em cima de um carro de bois enfeitado com flores de papel de embrulho durante as férias do Natal e fala com sotaque do Brasil que é país que fica debaixo do mar e que foi governado por uma lula gigante que também era sindicalista. Eu até penso que é tudo mentira porque o único país dentro de água que eu conheço é o meu e não é nenhuma lula que o governa e se dissermos que é um polvo mesmo que seja um polvo ranhoso levamos umas chibatadas que até nos levantam dos bancos depois de lá terem saído uns senhores de óculos e muito tesos por causa das preocupações e do trabalho que tiveram em almofadar o rabo para não magoar as hemorróidas quando decidem que já é altura de disfarçar os traques que foram dando mesmo aqueles que cheiram às amostras que a minha prima roubava nas perfumarias antes de a descobrirem lhe chamarem vaca e telefonarem à polícia. O que valeu foi que a minha prima Idalina também faz artesanato nas horas de ponta e ofereceu uns alfinetes de peito ao polícia de turno que gostou muito e agora não sai de lá de casa a pedir o resto porque pelos vistos a mulher dele é mais bolos. Eu gosto muito do destaque que fizeram no Sapo.

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O Festival da Canção é uma coisa muito bonita com muitas luzes onde as pessoas votam. O voto das pessoas que votam vai pelo telefone e depois manda às pessoas a conta. Eu este ano vi o Festival da Canção na casa da minha tia que gosta muito de canções festivaleiras que são canções onde é preciso gritar muito e ter muitos batuques e pessoas atrás aos pinchos com umas coisas a brilhar espetadas no cu e na cabeça. Este ano a minha tia disse que aquilo foi uma merda e que vamos ficar em último. Nos anos passados ganhamos sempre o Festival porque não mandamos um morcão e uma fanhosa a cantar uma coisa a dois que mal se ouvia. A minha tia disse também que o morcão que ganhou parecia que tinha caído no lixo e que aquilo não são maneiras de se apresentar no palco. Devia ter vestido uma coisinha limpa e assim com umas luzes a piscar como o Goucha. O Goucha não apresentou o Festival. Foram duas meninas muito bonitas. Uma chamada Bárbara que é de Fermentões em Guimarães que a minha prima Idalina conhece bem porque tem muita mata e muito arbusto e outra menina chamada Alberta Marques Fernandes que também faz as notícias depois do Festival. A minha tia achou que as duas meninas eram as únicas magrinhas que por lá havia mas eu vi outra que parecia que tinha morrido apertada com uma coisa castanha e achei que passava fome que no Festival não dão lanche. A minha prima Idalina gostou muito da canção onde havia uma senhora gorda que gritava muito a ver se apanhava os dois homens que cantavam ópera que é uma coisa que os cirurgiões fazem muito. A minha prima disse que essa sim era festivaleira. Ou essa ou a do rapaz que ninguém sabe quem é mas que era o Justino Biba porque cantava em inglês mas que estava disfarçado de velha para não ganhar logo. Eu achei bonita a canção que ganhou mas não disse nada porque a minha tia leva muito a peito o Festival que nos representa e era certinho que levava um tabefe. Não me lembro das outras pessoas do Festival mas isso é porque o peito da minha tia estava na frente e eu não consegui ver muito bem. A minha tia não sabe porque não mandam a Ana Malhoa que dá sempre muitos votos. Eu gosto muito do Festival.

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Gaffe